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Histórias de encantar

Um blog para fazer sonhar ....

Histórias de encantar

Um blog para fazer sonhar ....

Livros para combater o inverno

Janeiro 22, 2023

S.C.Jesus

   Planeava fazer uma lista de livros que se passassem em locais frios ou combina-se com a estação invernina sendo narrativas melancolicas e depressivas. Li alguns interessantes que se enquandram nessas categorias, mas outros tem umas histórias demasiado tristes que preciso de um tempo para fazer o "luto" desses livros antes de escrever uma opinião.

Por isso decidi fazer o inverso, recomendar um conjunto de livros que sirvam para nos curar da depressão e a tristeza que o inverno traz ás nossas vidas. Tentei trazer de diferentes géneros, para que existe algum que os leitores não tão adeptos de fantasia se identifiquem. 

        

   Quando penso em livros conforto, daquele tipo de livro que parece nos abraçar e nos faz sentir bem disposto, "The house in the cerulean sea" e "Legends & Lattles" são os livros que aparecem na minha memória. Fantasias que aconselho a quem não tem por hábito ler este género, pois não possuiem um sistema de magia ou universo complexo. 

" The house in the cerulean sea" foi um livro já recomendado no blog, centrado num grupo de crianças com poderes especias que vivem numa ilha isoladas e recebem a visita de um assistente social que pretende verificar se elas não representam uma ameaça para a sociedade. Dos livros mais amorosos que li! Nunca encontraram num livro um grupo mais unido como este. E o facto de passar-se numa ilha, se for lido no inverno fará nos lembrar dos dias quentes de verão.

"Legends & Lattles" foi uma das minhas leituras mais recentes, que encheu o meu coração de esperança e trouxe vários sorrisos a minha vida depois de dias intensos histórias com finais desesperantes. Narra a história de uma ogre que decide reformar-se da sua vida de batalhas e realizar o seu sonho de ter um estabelecimento em que se serva café e bolos. Só que no território escolhido o café é um produto desconhecido, e ela terá dificuldade em consilidar tal negócio. Com ajuda de alguns locais ela o fará acontecer, mesmo que por vezes surgem alguns que queiram acabar com o negócio. É um livro que se centra muito nas dificuldades e inseguranças desta ogre, surgindo mais para frente da história um romance, mas considero um livro de conforto pois tal como o anterior é um livro sobre aceitação e demonstra como os amigos são importantes na nossa vida. 

 

         

    O ano passado descobri a duologia "Monk and robot", duas pequenas histórias de fição cientifica centradas num universo em que os robots estão extintos e em que existem monges de chá como psicologos e confidentes dos habitantes de um continente imaginário chamado Panga. Não é o tipo de história que funcione com todos os leitores, principalmente os que não gostem de conversos filosóficas existencias. Contudo considerei livros de fição cientifica muito mais simples de compreender, e a amizade entre o robot e o monge é bastante adorável. 

Porque aquece-nos o coração? Faz-nos imaginar um mundo com menos guerras, em que as pessoas fossem mais solidárias e tivessem dispostas a ouvir os conselhos de uma criatura/pessoa diferente. O entusiasmo do robot descobrindo o mundo humano é outro dos motivos pelo qual gostei tanto destes livros. Todo o ambiente envolta também lembra as estações mais quentes. 

     

  Para quem prefere ler banda desenhada, "Heartstopper" e "Spy family" são as banda desenhadas mais divertidas de se ler. "Heartstopper" já foi referida no blog a propósito da série adaptada, é uma história juvenil centrada em dois rapazes do secundário que estão descobrindo a sua sexualidade e que lidam com problemas ligados á saúde mental. Provavelmente é o relancionamento mais saudável que encontrei num romance para jovem adultos nos últimos tempos. Disponível para ler online de forma gratiuta na plataforma webtoon.

"Spy family" é uma banda desenhada japonesa, do qual também possui uma adaptação ( neste caso uma animação, e do qual ainda não tive oportunidade de assistir), repleta de ação e humor que se baseia numa família falsa que aos poucos cria verdadeira intimidade. Anya, a criança telepata,  e o seu cão são de facto quem brilham nesta história de espionagem. Já publicados em Portugal os oito primeiros volumes. 

 

         

   Para os leitores que preferem ler romances contemporaneos aconselho "Doce Tóquio" e "Ela e o gato" , duas histórias ternurentas sobre relações e a nossa conexão com o mundo a nossa volta. São livros japoneses que demonstram como na simplicidade das pequenas coisas está a verdadeira felicidade. 

Em "Doce Tóquio" é nos narrado a história de um aprendiz de pasteleiro que com a ajuda de uma idosa e uma adolescente encontra rumo na sua vida. Ficaram encantados com as descrições das cerejeiras em flor e quereram sobrear o famoso doce dorayaki. Já "Ela e o gato" demonstra como os gatos podem ajudar a combater a solidão, um livro que pode ser lido como um conjunto de contos o que pode facilitar aos leitores não habituadas a grandes ritmos de leitura. 

 

   Espero que encontrem algum que causa uma sensação de conforto no vosso espírito, e não deixem que o inverno perturbe o vosso sistema nervoso. A nossa saúde física é importante, mas não esqueçamos que a nossa saúde mental é mais importante ainda. Pois uma mente doente afeta todos os outros sistemas. Não tenhamos vergonha de pedir ajuda, e cuidamos da nossa mente.

Desejo a todos um bom domingo e boas leituras!

Momentos assombrados

Novembro 28, 2022

S.C.Jesus

    O Natal está perto de chegar. Mas antes de partilhar alguns livros mais associados a esta época festiva que tanto adoro, queria partilhar mais alguns livros do género gótico que gostei e de algumas séries que assisti completamente assombrada. 

    

   "Anatomy" é uma narrativa de atmosfera gótica e de mistério passado na Escócia do século XIX, que se centra na luta de Hazel para se tornar médica. O seu caminho se irá cruzar com Jack, um ladrão de corpos, e juntos tentarão descobrir o que sucede aos corpos desaparecidos. Um livro com inspiração em "Frankestein" devido aos corpos mortos utilizados nas aulas de autonomia, e também ao próprio ambiente nos remeter a este grande clássico. 

A relação de Hazel e Jack é bastante adorável, principalmente devido ao facto de Jack encoraja-la nas suas operações. Mas a grande história de amor da obra representa o amor da protagonista pela medicina, a sua vontade de conhecer a anatomia humana e a sua luta contra os preconceitos de ser uma mulher estando a exercer uma profissão masculina. Hazel é uma personagem fascinante, sempre determinada em excercer medicina num mundo em que apenas os homens tem poder. E irá provar que ela possui tantas ou mais capacidades dos que eles para se tornar numa grande circurgiã. 

 

 


"Gallant" é uma narrativa de fantasia gótica que gira em volta de uma casa rodeada por sombras, apenas seladas pelo sangue de um Prior. Olivia, sem pais e sem voz, é a única capaz de verdadeiramente de compreendê-las e aquela que o mestre da casa tanto aguarda. Ela que sempre desejou um lar o encontrará, mas conseguirá derrotar a Morte?

Achei bastante original a ideia de existir duas "mansões", uma éspecie de mundos paralelos, e de Oliva estar ligada a esse mundo de sombras. De elas serem capazes de comunicar com ela, de conseguiram criar uma ligação e estarem dispostas a ajudá-la a derrotar o mestre da casa que pretende arrastá-la para o seu domínio. V. E. Schawab tem um modo único de criar histórias, com atmosferas melancólicas e protagonistas assombradas pelas suas próprias sombras. Olivia, tal como Addie, será outra personagem que guardarei com carinho. 

 

   

            Uma narrativa de terror gótico de nos causar arrepios e nos faz esperar até ao fim para descobrir quem é realmente o culpado daquelas assombrações. Elsie pode ser quem conta a história, mas a sua protagonista é de facto a propriedade The Bridge que nos embala num ambiente quase claustrofóbico com as suas "companhias silenciosas" (bonecos em tamanho real).

Narrado em dois períodos, o primeiro mostrando Elsie em dois momentos destintos (o momento da sua estadia na propriedade e as presenças que a perturbam, e a sua estadia no Hospital S. Joseph quando irá contar a sua história tentando provar a sua inocência pelos acidentes ocorridos na mansão) e o segundo corresponde ao diário Anne que irá revelar os segredos daqueles bonecos e demonstrar onde reside o verdadeiro mal.

Daqueles livros que acabamos de ler e nos perguntamos "Que livro é este?", com um fim supreendente que faz desejar uma continuação (apesar de saber-nos não existir). 

 

   Ver a imagem de origem     

     Nunca foi pessoa de gostar de assistir filmes ou séries de terror. Aliás até tenho um pouco de receio. Mas este ano fiquei super entusiasmada com a antologia de terror criada Guillermo del Toro. Gosto do modo que ele cria os seus "monstros", realiza os seus filmes ( "A forma de água" e "O labirinto do fauno" são dois dos meus filmes favoritos) por isso decidi arriscar. 

   "Gabinete das curiosidades" é uma antologia de terror de oito episódios, cada uma baseada num objeto, dirigida por um realizador e baseada numa história diferente. "Lot 36" e "The murmuring" foram as histórias criadas por del Torro, tem elementos de terror e suspense interessantes mas confesso que não foram as minhas preferidas. "Lot 36" apenas agarrou-me no fim quando surge o monstro, e "The murmuring" estive o tempo tudo a espera que acontecesse alguma coisa que realmente me assustasse mas é uma história normal de uma casa assombrada (apenas a história da protagonista da história que perdeu o seu filho ainda me despertou a atenção). 

Devo  destacar os episódos mais virados pelo terror gótico inspirados em contos de H. P. Lovecraff, "Pickman´s model" e "Dreams in the witch house". "Pickman´s model" foi o meu episódio preferido, um curador de arte preturbado pelos quadros monstruosos do seu antigo amigo Pickman. O ínicio lembra um pouco "Dorian Grey" mas o final é absolutamente brilhante, e sempre tive um certo fascinio por histórias onde a arte está amaldiçoada e ganha vida. "Dreams in the wicth house" apesar de não ser muito assustador, gostei muito da forma como foi contada e o facto do irmão ter feito todo para se reencontrar com a irmã. Assim achei original ter sido um rato narrando a história, tornando a narrativa bastante divertido, assim como aquela bruxa feita de troncos de árvore. 

   Em geral foi uma antologia que gostei muito de assistir e recomendo para quem gosta de terror com suspense á mistura. Houve alguns episódios como o "The viewing" que tive todo o episódio a tentar compreende-lo, e mesmo no fim não consegui entender para que serviu aquele monstro e porque se reuniram aquelas pessoas na casa daquele homem rico. "Graveyard rats" foi  um dos episódios mais interessantes, com um dos melhores finais e me fez preceber que devo manter-me sempre afastado dos cemitérios. 

 

   

  "1899" é  mais uma série de mistério do que propriamente de terror. Mas como ao longo da temporada irão acontecer mortes, podemos considerar que tem um pouco de terror. Dos mesmos criados de "Dark", esta série de origem alemã tal como a sua antecessor confunde os seus espectatores que obriga-os a estar bastante atentos para poderem atender todo o que sucede naquele navio.

Seguimos a jornada dos tripolantes do navio Kerberos, formado de imigrandes de várias nacionalidades. Mas a viagem para Nova Iorque que se apresenta tranquila, irá revelar-se um verdadeiro pesadelo quando o capitão é obrigado a mudar a rota devido o surgimento do navio desaparecido Prometheus. Tal origina uma tensão crescente no ambiente devido aos acontecimentos estranhos que irão surgir, e caberá ao capitão e a misteriosa médica Maura desvendar os segredos que esconde o outro navio. 

Quando a fição  começa a se confundir com a realidade, começamos a nos questionar : esterão mesmo aqueles passageiros num navio ou não poderá será alguma espécie de jogo? E porque Maura parece estar de alguma forma ligada a ele?  Uma das melhores séries que assisti este ano, e já vou aguardar ansiosa a continuação. Se for como "Dark", cada temporada melhorou e trouxe sempre revelações mais supreendentes. Outro promenor interessante, devido a representividade dos imigrantes, foi utilizado dez línguas ao longo da temporada daqual se inclui o português  e a cada episódio destacava-se um pouco a história dessas personagens (gostei bastante da história de Ling Yi, e espero que possamos conhecer um pouco mais da sua história na segunda temporada). 

 

     Desejo-vos boas leituras e regresso em breve com sujestões de livros para a época festiva. 

Histórias góticas e sinistras

Outubro 30, 2022

S.C.Jesus

  

Outono costuma ser o mês que gosto de ler livros góticos, narrativas mais negras com uma vertente de terror e mistério. Este ano decidi incluir também livros de “dark academia”, e descobri que até gosto de narrativas centradas em escolas de elite.

O meu fascínio pelos góticos começou depois de ler Frankenstein , fiquei impressionada com o “monstro” que todo o que pretende é ser amado e pelo facto de Mary Shelley ter escrito a obra prima do romance gótico com apenas 18 anos. Desde que li esse livro tenho procurado livros que produzem o mesmo efeito, li este ano uma releitura desse clássico intitulado A queda sombria de Elizabeth Frankenstein que me levou a querer reler a obra.  

 

       

 

Como pretendi ler outros livros que estão na origem dos primórdios da literatura gótica escolhi O castelo de Otranto de Horace Pole e Vathek de William Beckford, apenas a obra de Horace Pole encantou-me com os seus mistérios e assombrações á um castelo que inspirou o afamado castelo da Transilvânia.

 

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Não podia deixar de referir os magníficos contos de terror gótico de Edgar Pole, com especial destaque para de “The tell tale heart” e “The Cask of Amontillado” repletos de suspense e momentos de arrepiar com os seus espíritos maléficos em que o medo da morte e a loucura são os temas mais frequentes.

 

 

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  Tanto Como se fossem vilões e Vita nostra são narrativas que se centram em escolas de elite e encontram-se inseridos no movimento “dark academia”. No primeiro seguimos a jornada de Oliver, aluno de teatro shakespeariano, que foi acusado de matar um dos seus amigos.  É um livro que homenageia Shakespeare, uma leitura intensa sobre um grupo de sete amigos, estudantes de uma escola de artes de elite, que transpõem os seus papeis em palco para á vida real.

Já o segundo somos inseridos numa escola de magia, mas em que os próprios alunos não entendem que estão a praticá-la. São constantemente forçados a ler textos indecifráveis, submetidos a exames que os levaram a renegar as suas próprias emoções.  Um livro que nos absorve completamente, perturba, mas também nos fascina com todo o seu mistério. Uma viagem pelo lado mais negro da alma humana, mais não deixa também de ser a jornada de uma jovem que vence os seus medos a cada desafio lançado.

 

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   Nas minhas leituras também tiveram presentes romances históricos góticos centrados em ambientes atmosféricos e mistérios sinistros. The last apothecary segue a jornada de três personagens (Nella, Eliza e Carolina), separadas pelo tempo mas com a mesma determinação de mudar o rumo das suas histórias. A história de Nella é a mais interessante por ela vender venenos para mulheres que são vítimas de abusos dos homens.

Em Melmoth de Sarah Perry (mesma escritora de A serpente de Essex), envolve-nos o mistério de Melmoth, uma mulher condenada a viver sozinha espiando os pecados das almas perturbadas, inserido num enredo dividido por vários testemunhos que se cruzaram com esse espírito e viveram assombrados por ela. Passado na cidade Praga, possui momentos sinistros, melancólicos e um final um pouco perturbador.

 

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      Os livros com bruxas são outro tipo de livros que gosto de ler no outono, são sempre narrativas repletas de magia e com enredos centrados em jornadas de sacrifício e redenção.  The witch and the tsar é um livro centrado na cultura da Europa do leste, nomeadamente na figura mítica da Baba Yaga na sua jornada para salvar a Rússica do czar Ivar, o terrível. Um livro perfeito para ler no outono ou no inverno, semelhante ao The bear and the nightgale e The witch´s heart. Magic lessons é um livro que aborda sobre diferentes tipos de amor. Uma bruxa que lança uma maldição para a sua descendência não sofrer por amor, mas acaba por render-se a esse sentimento. A história de Maria e Faith Owens, duas poderosas bruxas que não se deixam dominar pelos seus infortúnios, e tentam acabar com a caça às bruxas.

 

    Como continuo a quer livros mais sinistros ligados ao gótico e a “dark academia” talvez faça uma segunda parte, acrescentando a minha opinião a série “Gabinete de curiosidades” ( uma antologia de terror que surpreendentemente tenho adorado assistir).

Livros que nos ensinam

Setembro 10, 2022

S.C.Jesus

     Cada vez mais gosto ler livros que para além de narrarem uma bela história, nos permitem conhecer outras culturas e nos revelam o passado histórico do país do escritor. Os livros de fição também podem dar-nos verdadeiras lições de História, de Política e demonstrar o quanto é importante cuidar-nos do nosso ambiente e impedir-nos a continamição do ódio da sociedade pelo diferente. 

Os livros que vos apresento hoje foram livros que tocaram o meu coração de uma maneira muito profunda, e me levaram a questionar o porque de Homem estar constantemente a prepetuar os mesmos erros que cometeu no passado. Quando vamos aprender que não é com guerras que se resolvem os conflitos?

 

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 "Conflito interno" (vencedor do "Women´s prize 2018, escritora de origem paquistaneza)  é muito mais do que a história de amor entre dois jovens de classes diferentes. Retrata o conflito familiar de uma família muçulmana, que tem de lidar com a "mancha" de ter um familiar terrorista . Uma versão moderna de Antígona, com evoque na dimensão social da narrativa nomeadamente a imigração, o preconceito religioso e as politicas rigorosas britânicas contra os residentes de origem árabe.

O enredo centra-se em duas irmãs . Isma, obrigada a cuidar dos seus irmãos gémeos depois da morte da mãe, tem agora a possibilidade de concluir a sua licenciatura em sociologia. Aneeka, a rebelde e independente, que fará de todo para ajudar o seu irmão a fugir da armadilha que caiu. Eomon é a outra personagem central desta história, filho de um politico radical, entrará na vida destas irmãs, especialmente da Aneeka, e alterará o futuro delas para sempre.


Esta é uma obra que aborda o fanatismo religioso de um modo subtil, uma narrativa da qual não conseguiremos esquecer. Estas vozes que representam famílias oprimidas por um estado que apenas as veem como um rosto de uma religião.

 

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Uma narrativa intensa sobre a morte, a identidade e as relações humanas. O protagonista vive no limbo entre tentar compreender uma guerra que não viver, e fugir de uma realidade cruel capaz de sugar o brilho da sua juventude.

"A passage north"  (nomeado em 2021 para o Booker prize, escritor oriundo de Sri Lankan Tamil ) é um livro que se lê como um monologo, repleto de frases filosóficas e muitas referencias ao Sri Lanka. Foi uma leitura bastante introspectiva, gostei especialmente da relação do narrador com Rani. Mas precisava de conhecer melhor a realidade socioeconômica de Sri Lanka para sentir-me mais conectada com a história, pois houve momentos em que me senti um pouco perdida (por exemplo o episodio do documentário sobre as duas guerrilheiras).
 
 

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Arrebatador, mágico, uma ode á natureza, relato sensivel aos imigrantes ... Não existem adjetivos sufecientes para descrever o quanto amei este livro! Já conheci o inegualável talento de Elif Shafak (autora turca-britanica) para contar histórias, mas este livro ultrapassou todas as minhas expectativas.

A começar pelo narrador... Ter uma figueira contando a história é algo extaordinário. Principlamente pelos interessantes factos sobre os animais, as árvores,a História do Chipre e a relação dos humanos com a natureza. É o que de facto torna este livro extaordinário, a sabedoria do narrador.

O conflito entre o Chipre e a Turquia é o destaque da narrativa, uma vez que é por causa dele que Dafne e Kostas (os apaixonados da história) se separam. Dá-nos a conhecer uma realidade que muitos dos leitores desconheciam.

Para além de Kostas e Dafne, Yusuf e Yiorgos foram outras das personagens que mais me cativaram durante a leitura. Eram uma dupla tão adorável, e tem um papel fundamental para o romance entre os protagonistas...

Deixo-vos um dos meus trechos preferidos:

"Na vida, ao contrário do que sucede nos livros, temos de tecer as nossas histórias com fios finos como as veias de gaze que correm nas asas de uma borboleta."
 
 

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Uma obra hibrida formada de vários fragmentos de escritores, músicos, artistas, factos sobre a História e a cultura de Israel e Palestina assim como as migrações dos pássaros. Todos estes factos interessantes, com especial relevancia para a pomba (como simbolo da paz), encontram-se interligados com o relato dos amigos Rami e Bassamar.
Pelo seu Estado deviam ser inimigos, por Rami ser judeu e de Israel e Bassamar muçulmano e da Palestina, mas ambos perderam as suas filhas em eventos trágicos. Smard (filha de Rami) foi uma das vitimas de um ataque terrorista, Abir (filha de Bassamar) foi morta por policias quando afirmarem estarem a se defender de ataques de pedras. Rami e Bassamar uniram-se para lutar pela paz, e acabar com a ocupação que a anos destrui a sua nação.

"Apeirogon - viagens infinitas" (autor de origem irlandeza) é uma narrativa grandiosa, que demonstra ser necessário tolerancia e diálogo para acabar com os conflitos. Ensinou-me muito sobre o conflito entre o Israel e a Palestina, e demonstra que devemos observar os dois lados da moeda. Numa guerra nem sempre existe o lado dos vencedores e dos vencidos, muitos vezes ambos os lados são vitimas e tem de encontrar um meio de chegar ao entendimento. O problema é saber quando esse dia chegará...

 

    Foram todas leituras muito importantes, que levaram a ter consciencia de realidades pouco conhecidas e também a explorar paises bastante fascinantes como o Chipre e Siri Lanka. Os que me marcaram mais foram "A ilha das árvores desconhecidas" e "Apeirogon - viagens infinitas". Neste momento estou lendo "Augustus" e "Metamorfoses", sempre amei a História e a Cultura clássica e estes livros vieram reforçar essa paixão. 

Espero que estejam tendo um exelente fim de semana, e desejo-vos umas fantásticas leituras. Leiam livros que vos entretanham mas também leiam livros que vos ensianam sobre outras realidades!

 

A magia do Howl´s moving castle

Agosto 21, 2022

S.C.Jesus

 

   

       Há certos filmes ou livros que nunca perdem o seu encanto, ás vezes ainda se tornam mais belos com o passar dos tempos. São poucos os filmes que revejo sem me cansar. São poucos os que se encontram na minha lista de favoritos para vida. Se tivesse de fazer o top 3 dos meus filmes favoritos existiria dois que não poderia faltar, correspondem aqueles tipos de filme que fazem parte da minha personalidade.

"Before the sunrise" e "Howl´s moving castle", o primeiro corresponde  á um drama romantico onde acompanhamos  dois desconhecidos que se conhecem num comboio e decidem passar um dia juntos em Viena; o segundo é uma animação fantástica que narra a história de Sophia amaldiçoada pelo uma bruxa que cria uma amizade especial com o feiticeiro Howl e o seu castelo andante. "Before the sunrise" assisti pela primeiro vez quando tinha 14 ou 15 anos, e me impressionou as conversas filosoficas entre os dois protagonistas (ainda hoje depois de ter visto tantos filmes, considero que sejam os melhores diálogos criados para o cinema); "Howl´s moving castle" é o meu filme preferido da minha infância, assisti numa aula de quinto ano e sempre ficou na minha memória a perfeição das cores e dos desenhos da animação.

        A opinião de hoje será sobre esse filme que tanto marcou a minha infância, do qual decidi rever este ano depois de finalmente ter lido o livro. Na primeiro vez que assisti não sabia existir um livro, por isso levei tanto tempo para o ler. Existem promenores no livro que não estão na animação, como o facto de Howl será um sedutor que engana jovens donzelas enquanto que no filme as ausencias do feiticeiro são justificados com a guerra. Outra diferença é a personagem do Michael que no livro é já adulto, e no filme mostram-no ainda como uma criança.

Demorei a reve-lo pois pensava que perderia a magia. Mas estava enganada. Existem filmes e livros que nunca irão perder o seu efeito especial. "Howl´s moving castle" é especial não apenas por ser belissimo a nivel visual, mas pelo humor e doçura das suas personagens. Como não rir com Calciel e Michael tentando escapar das limpezas de Sophia. E como não se derreter com a relação entre Sophia e Howl , ou a amizade entre Sophia, Calciel e Michael. 

Se conhecerem filmes ou livros que tenham a mesma sensação de conforto de "Howl´s moving castle" me digam nos comentários, estou a procura de ler ou assistir novos mundos mágicos que me levem de volta a essa época dourada da infância .

Desejo-vos um bom domingo, um inicio de uma boa semana e aproveitem para rever alguns dos vossos filmes preferidos!

Canções e poemas que me identificam

Julho 16, 2022

S.C.Jesus

   

 

 

     

Achei que seria interessante fazer mais uma opinião sobre a inspiranção por detrás de determinadas canções. Mas este ao contrário do outro post, não será exemplicado por canções de Taylor (apesar de ela ser uma das minhas cantoras preferidas, acho que devemos dar oportunidade a outros artistas não tão conhecidos) antes com cantores de música indie. 

Devem ter reparado que com a pandemia tem surgido mais álbums e novos artistas que preferem apostar mais nas letras do que as melodias, isto não significada que os álbuns mais pops e dançantes tenham deixado de fazer sucesso (continuam a ter lugar nas festas e discutecas), as pessoas começam a preceber que não há problema de se mostrar vunerável. E se querem saber a minha opinião, as canções que vale mesmo apenas ouvir é aquelas feitas no momento de maior vunerabilidade. 

Gosto de canções mais tristes e melacolicas, por isso a maior das canções que vos apresentarei aqui podia-se englobar numa playlist "ouvir se queres chorar". Mas tal não significada que eu sou uma pessoa triste, simplesmente me identifico mais com esse género de música. 

     Durante a quarentena descobri muitos artistas novos, alguns deles viraram meus cantores favoritos. Cantore(a)s como a Masie Peters, Ashe, Phoebe Bridgers e Conan Grey são alguns deles. São a futura geração de cantores-compositores, dos quais a maior das suas canções me identifico. 

Comecei a ouvir Masie Peters por causa da sua colaboração com JP saxe (devem conhece-lo da sua famosa canção "If the world was ending"), e apaixonei-me pelas suas letras divertidas e sentimentais. O ano passado ela lançou o seu primeiro álbum "You sign up for this" pela discográfica do Ed sheeran, assim como também escreveu todas as canções da  segunda temporada da série inglesa Trying (uma série que pretendo assistir, apenas porque considero a banda sonora incrivel). 

Sempre que oiço as canções de Masie fico com um sorriso no rosto, e são poucos os artistas que conseguem me fazer rir. Imagino sempre as suas canções como parte de uma trilha sonora de uma comédia romantica, mas daquelas comédias de qualidade. Canções como "Love him, I dont", "Hollow" e "John Hughes movie" são as minhas favoritas, principlamente por versos como estes: "What a state, what a waste of your 20's /Couple lies, couple times, that's plenty" (Love him, I dont); "The casualty of love is the price of being free/You said this is something that we both need" (Hollow); "Cause if you dont want me/ Then you not the one" (John Hughes movie).

As canções da Masie Peters lidem com temas relacionadas com geração dos 20s e a nossa dificuldade em enfrentar as responsabilidades da idade adulta, de descobrir que as paixões que acreditavamos no tempo de criança eram apenas contos de fadas e por vezes perdemos amigos que pensariamos ficarem do nosso lado para vida toda. 

 

Outra artista que descobri devido a uma colaboração foi a Ashe. Fiquei emocionada com o dueto que fez com Niall da sua canção "Moral of the story", e decidi navegar por todas as canções (na altura apenas eps). Felizmente ela também lançou o seu primeiro álbum em 2021, e digo-vos que nunca tinha ouvido um álbum tão vunéravel até aquele momento. Principlamente "Ryne´s song", escrita em memória do seu irmão que se suicidou, raramento a gosto de ouvir porque faz-me chorar cumpulsivamente (e eu nunca passei por nenhuma situação semelhante, mas esse é o poder da música).

As canções que mais me identifico são as seguintes "When I ´m older", "Always", "Taylor"e "Love is not enough" devido as versos: "Maybe when I'm older /I'll run out of stories about you" ("When I´m older); "Yeah, and I've come to terms I might never feel whole again" (Always); "But you don't stand a chance when you're young and in love" (Taylor); "I'm not tryna break the silence /Baby, I'm just tryin' to fix it" (Love is not enough).

Este é daqueles alguns que queremos ouvir todas as canções, e é raro encontramos um álbum de que gostamos de todas as músicas. As canções de Ashe tem o poder de me fazer chorar, mas por vezes deixo embalar por algumas das suas canções mais teatrais e me apetece dançar loucamente. Muito curiosa para descobir o futuro desta promissor artista, e espero que o segundo álbum seja tão bom quanto este.

 

Confesso que apenas descobri a talentosa Phoebe Bridges devido a sua participação da regravação do álbum Red da Taylor Swift, e na minha humilde opinião "Nothing New" (depois dos 10 min. de All too well)  é a melhor canção do álbum. Define perfeitamente o nosso medo de envelhecer, de podermos perder determinadas pessoas por já não seremos jovens e bonitas. O verso "How can I person know everything at eighteen/But nothing at twenty-two" define-nos tão bem.

Mas virando a página, prometi que não vos falaria das canções de Taylor (por mais que as ame). Quer dar espaço também a outros artistas. E Phoebe Bridges, o que eu estava perdendo... Ela é provavelmente uma das melhores cantoras-compositoras da nossa geração. As suas canções são tão profundas e tristes, que é impossivel ficarmos indeferentes. "Punisher", o segundo álbum lançado em 2020, é outro dos meus álbuns perferidos. "Savior complex" e "Moon song" são as minhas perferidas. Mais recentemente ela lançou a música "Sidelines" para a série "Conversations with friends", e tornou-se noutra das minhas preferidas, devido aos versos: "Watching the world from the sidelines/Had nothing to prove".

 

 

    Conan Grey é um artista que passei a ouvir bastante, depois de descobri que uma das suas grandes influencias musicais era a Taylor Swift. E quando comecei a ouvir com a atenção as suas canções, consegui encontrar muitas semelhanças com algumas canções da Taylor Swift da era de Speak Now e Red. Já lançou dois álbuns "Kid crow" (2020) e "Superache" (2022). São canções dramáticas que retratam as paixões juvenis, a solidão e a autodescoberta. As minhas favoritas correspondem "The story", "Little league", "Astronomy", "People watching", "Movies" e "Memories". Alguns versos com quais me identifico: "Oh, and I'm afraid that's just the way the world works / It ain't funny, it ain't pretty, it ain't sweet" (The story); "When we were younger/We didn't know how it would be" (Little league); "From far away, I wish I'd stayed with you/But here, face to face, a stranger that I once knew" (Astronomy) e "I wanna feel all that love and emotion/Be that attached to the person I'm holdin'" (People watching). 

 

Também queria realçar alguns cantores portugueses e alguns poetas que ajudam no meu processo criativo, e me fazem sentir mais conectado com este maravilhoso mundo.

Barbára Tinoco é um desses exemplos, uma cantora que decidi arriscar ao cantar uma música sua num programa de televisão e um ano depois duas das suas músicas já passavam nas principais rádios portuguesas. As suas canções , um pouco como as dos outros artistas que apresentei, são "diários intimos" as suas paixões e á sua necessidade de encontrar um lugar no mundo. Destaco as canções "Sei lá", "A fugir do ser" e "Tragédia", pelos seguintes versos: "Mas tu sabes lá, as guerras que eu tenho/Tu sabes lá, das canções que eu componho" (Sei lá); "O tempo é todo errado, ou estamos mesmo agarrados/A tentar não ser" ( A fugir do ser); "Que os sonhos são muito mais de construir do que sonhar/E a sorte dá trabalho a quem a agarrar".

 

Elisa, uma cantar que nasceu na minha adorada ilha da Madeira, conseguiu singrar na música ao vencer o Festival da canção de 2020 (infelizmente foi o ano em que o festival teve de ser cancelado devido ao Covid) e começou lançando canções que demonstram a sua personalidade doce e alegre. "Coração", "Na ilha", "Menina" e "Se não me amas" são as minhas favoritas, das quais identifico os versos: "E se eu te esconder no mar/Será que te vais zangar?" (Coração); "Beleza vem de dentro" (Menina), "Se não me amas, não me prendas/Por temer que te arrependas" (Se não me amas).

Outro dos artistas portugueses que mais gosto de ouvir são a banda Os quatro e meia, um groupo de rapazes que se conheceram-se na universidade e aos poucos tem conquistado o seu espaço no panorama musical portugues. Canções como "A terra gira", "O tempo não para" , "Olá solidão" e "Amanhã", os seguintes versos espelham a qualidade das suas canções: "Sem saber/Dou por mim a viver a correr" (A terra gira); "Olho em volta, agora estou sozinho/Não liguei às placas do caminho/Nem parei p'ra perguntar a direção" (Olá solidão); "Guarda em ti a minha voz/E eu faço uma letra sobre nós" (Amanhã). Eles também fazem parte daquele groupo de artistas que conseguem me colocar bem disposta, com as suas letras motivadoras. 

 

Esta opinião já vai longa, mas antes de me despedir gostava de partilhar alguns poemas da Mary Oliver. Comprometi-me, apartir do ano passado, que todos leria pelo menos um livro de poesia. Uma vez (apesar de adorar poesia) que raramente leio livros de poesia, por vezes leio alguns poemas de Pessoa ou oiço declamações de poesia online. Achei que estava na altura de ler outro tipo de poesia, não apenas poesia na lingua portuguesa mas também na inglesa e francesa. E tenho descoberto poetas extaordinários. O ano passado falei-vos como fiquei maravilhada com a poesia de Emily Dickision, este ano foi Mary Oliver (também americana) que supreendeu-me.

A sua poesia (semelhante a de Walt Whitman) são quadros aos nossos sentidos, uma forma de ficarmos mais conectados com a natureza. Mary Oliver parece um ser mistico que nos leva numa viagem ao mais profundo de nós mesmos, a uma era em que o mundo vivia em estado de contemplação com a natureza. "Upstream" (um conjunto de ensaios poéticos e filósoficos) e "Devotions" (uma colectanea dos seus principais poemas) foram os livros que escolhi. 

"Understand, I am always trying to figure out
what the soul is,
and where hidden,
and what shape"
- "Bone"
"You do not have to be good.
You do not have to walk on your knees
for a hundred miles through the desert repenting."
- "Wild Geese"
 
 
"The female, and two chicks,
each no bigger than my thumb,
scattered,
shimmering
in their pale-green dresses;
then they rose, tiny fireworks,
into the leaves
and hovered;"

                           - " The hummingbirds"

 

Penso que gosto tanto de análisar canções pela minha veia poética, afinal o processo de escrever canções é semelhante ao da poesia. E existem certas canções que são verdadeiros poemas. Gostaria de saber se gostam desto tipo de opinões, se quiserem posso escrever uma parte III das canções que mais me inspiram. Existem muitos artistas que oiço ( ainda mais desconhecidos do que estes) que não inclui neste para não se tornar demasiado longo.

Até lá um bom fim de semana, e aproveitem para ouvir novos artistas e desta vez tentem preceber o significado das canções!

The Gilden Wolves triologia

Junho 07, 2022

S.C.Jesus

     A triologia The Gilded Wolves cativou-me de imediato, não por apresentar um enredo todo elaborado mas pelo grande desenvolvimento das personagens e por se passar sempre em cenários diferentes. São livros dos quais conectamo-nos com todas as personagens, e desejamos que todas tenham o seu final feliz.

No primeiro livro, a ação se desenrola em Paris do século XIX na época da exposição universal. Acompanhamos o grupo composto por Séverin, Laila, Enrique, Zofia, Thristan e Hypnos em festas boémicas e ciladas em ruas de má fama. Cada elemento do grupo tem habilidades especiais e a sua própria nacionalidade.

Séverin é o líder, de origem francesa acredita estar destinado a ser um Deus. Laila, a performece, de origem indiana,não é completamente humana e esconde um grande segredo. Enrique, o historiador, de origem filipina, vive em conflito interior pelo facto de ser mestiço e bisexual. Zofia, a engenheira, de origem polaca, é um dos elementos que mais ajuda nas missões mas está constantemente pensando que é inferior aos outros. Thristan, o botanico, a "criança" do grupo que possui uma relação mais próxima com Séverin por terem crescido juntos nas mesmas casas dos vários pais adotivos. E finalmente temos Hypnos, que apesar de não pertencer oficialmente ao grupo, encontra-se sempre pronto a ajudar a encontrar o artefacto perdido, tal como Enrique também é mestiço e de origem egipicia. 

 

No segundo livro, o grupo parte para Moscovo para o conclave de inverno e tenta encontrar um "livro" que pode salvar a vida de Laila. Ao contrário do primeiro livro, um ambiente mais festivo, este enredo possui uma atmosfera fantásmagorica repleta de histórias de maldições. Os nossos protagonistas são forçados a afastarem-se do seu líder, que vive deprimido depois da perda de Thristan. E no fim toma uma decisão que apanha todos de supresa.

 

Na conclusão da triologia, o grupo se encontra separado do seu lider e procura um modo de evitar uma grande tragédia. Este terceiro livro passa-se em Veneza, descreve os afamados bailes de máscara e passeios de gandola. É um final "bittersweet" pois por um lado existe os tais finais felizes, mas não exatamente como esperavámos que acontecessem. Principalmente com as personagens de Séverin e Laila. 

 

   Para além das jornadas das personagens, gostei muito dos casais. Demoraram a se formar, mas quando aconteceram foram épicos. Séverin e Laila são os eternos casais que vivem se amando e odiando na mesma medida. Enrique e Hypnos é daquele tipo de casal que se une por encontrar pontos em comum, Enrique acreditava que ele era o único capaz de compreende-lo mas no inicio Hypnos não levava o relacionamento deles muito a sério. Enrique e Zofia começam por ser a dupla impátivel, que através de um beijo descobrem que são o par prefeito um para outro. 

Esta é uma daquelas triologias que foi "amor á primeira página" adorei o ambiente e as personagens, gostaria que a escritora continuasse com a história e desenvolve-se mais o universo dos aneis e das várias casas. Sinto que alguns mistérios ficaram por revelar. Serão personagens que deixarão saudades!

 

Mundos fascinadamente violentos

Maio 28, 2022

S.C.Jesus

Este mês comecei três novas séries que me cativaram pelos seus ambientes mais violentes, ao contrário de outros livros de fantasia que apostam numa atmosfera mais “cosy” e personagens com propósitos heroicos, estes livros apresenta-nos personagens com várias falhas mas que com o avançar da ação se tornam queridos aos olhos do leitor.  

Tanto “These violent delights” como “ The gilden wolves” apresentam narrativas com personagens que funcionam em grupo, a primeira retrata a rivalidade entre dois gangs nas ruas de Xangai e na segunda é retratado as missões de um grupo de órfãos que roubam artefactos antigos. Já “The gilden ones” apresenta-nos uma protagonista renegada pela sua comunidade por ser considera “impura”, mas que forma uma família de mulheres guerreiras dispostas a todo para protege-la.  

 

 

“These violent delights” é um “reteling” moderno de Romeu e Julieta, mas neste livro os nossos “Romeu” e “Julieta” vivem em Xanguai e rivalizam entre si para controlar o seu comércio. Contudo, ao surgir um “monstro” capaz de destruir todo o que amam decidem esquecer as suas rivalidades e unirem esforços para se livrarem da praga.  

O que me agrada nesta duologia é o facto desta “Julieta” não ser a rapariga ingénua da peça de Shakespeare, nem o romance dela com Roma, o nosso Romeu, ser um amor à primeira vista. Julieta tanto pode ser uma mulher honrosa como uma líder sanguinária. Enquanto, Roma ao longo da ação parece estar em constante conflito não sabendo verdadeiramente a onde pertence. 

Para além do casal de protagonistas, Marshall e Benedik, os amigos de Roma, são outros dos personagens cativantes deste livro e os responsáveis por ajudá-los a resolver a descobrir a solução para resolver o seu problema.  

 

“The gilden wolves” é um primeiro livro de uma trilogia de eletrizante composta por um conjunto de personagens complexos, mas cada um com caraterísticas especiais. Sevérin, Laila, Enrique, Zofia, Thristan and Hynos são personagens que nos fascinam do início ao fim. Acompanhamos a sua jornada para encontrar um artefacto perdido e evitar a ascensão de um mal que pode destruir a civilização.  

O universo deste livro decorre na França do século XIX, as suas festas boémias, a exposição universal e o seu ambiente glamoroso. O chefe deste grupo é Sevérin, uma alma destroçada pela orfandade e os seus múltiplos pais que evita demonstrar emoções para poupar o seu coração já demasiado fragmentado. Laila, o seu antigo amor, é uma performer que cativa todos a sua volta. Zofia, a mecânica, é uma exilada que vive preocupada com a sua irmã mais novo e mente á sua família para não ser julgada. Enrique, o historiador, é o “sabichão” do grupo que vive num dilema interior, devido a sua bissexualidade, sem saber onde verdadeiramente pertence. Thristan, o botânico, é o mais frágil e protegido visto como um irmão para Sevérin por terem crescido juntos. E finalmente, Hynos o mais misterioso e o que não pertence ao grupo e guarda muitos segredos. 

Gostei tanto do ambiente e das personagens que decidi logo de seguida ler a continuação. Por isso talvez escreva uma opinião da trilogia completa. O segundo livro passa-se na Rússia, e ao contrário de o primeiro livro que nos lembra mais uma atmosfera primaveril, este possui uma atmosfera mais fantasmagórica e nos recorda o inverno.  

 

“The gilden ones” é inspirado numa África tribal, onde as mulheres são vistas como “monstros” e renegadas pela sociedade. Deka começa a sua jornada vivendo com medo da cerimónia de sangue que irá torná-la mulher e membro da sua comunidade. Uma comunidade que julga mulheres com sangue vermelho como sendo puras, e mulheres com sangue dourado como sendo impuras. 

Quando descobrem que Deka possui sangue dourada a renegam, e a entregam ao serviço do imperador que quer formar um exército de mulheres douradas para derrotar a ameaça que parecer quer destruir o reino. Começa então um longo treinamento para a nossa protagonista, no qual irá descobrir ter poderes extraordinários ao mesmo tempo que encontra uma família nas suas iguais.  

Este é o primeiro livro de uma triologia que demonstra o poder da força feminina, e como não devemos nos submeter á uma sociedade preconceituosa que não aceita o diferente.  

 

Estes foram livros que demonstram deter um conjunto de personagens resistentes capazes de todo para defenderem quem amam, e apostam na diversidade cultural e histórica. Espero que possam lê-los, e deixarem-se inspirados por eles!  

Mundos fantásticos e mundos distópicos

Maio 21, 2022

S.C.Jesus

Alguns livros nos levam a refletir sobre os problemas da sociedade, outros simplesmente nos permitem sonhar e acreditar na magia dos nossos sonhos de criança. Livros como “1984” ou “Admirável mundo novo” tornaram-se icónicos, pois levaram os leitores a questionar o modo como os estados construem-se. Já “O senhor dos anéis” e “As crónicas de Nárnia” tornaram-se míticos devido as suas narrativas repletas de aventuras, e nos proporcionar a entrar num reino mágico.  

Ambos os livros que vos trago hoje pertencem a essa categoria de livros. Livros para refletir e livros para sonhar. Livros para nos chocar e revoltar. E livros para nos perdermos numa verdadeira jornada de heróis e histórias para descobrir. Livros para nos aquecer o coração e livros para nos amargurar com as injustiças.  

 

Em “ A polícia da memória” somos deparados como uma ilha em que todos os objetos e coisas começam a desaparecer. E a medida que coisas preciosas, como é o caso de uma rosa, desaparecem também começam a desaparecer ás memorias queridas que os seus habitantes possuíam. O grande dilema é o que acontece se as palavras desaparecem, se a própria humanidade desaparecesse … O que restaria?  

A protagonista sem nome, uma romancista, possui como grande objetivo salvar o seu editor e tentar evitar o esquecimento dos livros. Mas a medida que os desaparecimentos começam a se multiplicar, ninguém está a salvo e nem mesmo uma escritora é capaz de evitar a opressão deste rigoroso sistema.  

 
" A policia da memória" é um livro revoltante, mas que nos leva a refletir sobre a manipulação do estado e o papel da própria memória. Ao longo destas páginas percebi o verdadeiro valor de determinados objetos, como por exemplo uma simples escova do cabelo, que se perdessem o seu significado também perderíamos as lembranças queridas com que relacionamos essa "coisa". 

 

No “ Um mar sem estrelas” somos transportados para um labirinto de histórias incompletas, um reino submerso protegido por guardiões e que guarda muitos mistérios.  

Zachary, o protagonista e herói por acaso, descobre a entrada para este estranho mundo através de um livro antigo, mas aos poucos se torna numa das suas personagens. Será que resolverá o enigma. Assim como compreenderá serem os finais mais importantes dos que os começos. E que por vezes devemos acreditar nos impossíveis.  

 

 

 

 

" Um mar sem estrelas" é um dos melhores livros de fantasia criados nos últimos tempos. Leva-nos de volta ás nossas histórias preferidas dos nossos tempos de criança, em que acreditávamos existir um armário ou toca que nos levaria á um reino mágico. Mas este reino é diferente de Nárnia e do País das Maravilhas, é uma cidade submersa feita de livros perdidos e guardiões que fazem todo para preservar as suas histórias. 

 

Erin Morgenstern é uma verdadeira contadora de histórias, os seus livros possuem sempre belíssimas atmosferas e uma construção épica dos seus personagens secundários. Destaco neste livro os personagens Dorian e Mirabel , ambos fundamentais para o crescimento do protagonista e representam uma peça do labirinto. Se amaram “O circo dos sonhos” também devem ficar encantados com esta maravilhosa obra.  

 

 

Tanto a distopia como o romance de fantasia foram obras que foram muito aprazíveis de ler, as duas por diferentes motivos. A distopia levou-me a pensar e a refletir sobre o mundo político e social, enquanto que o de fantasia levou-me a embarcar numa viagem da volta aos meus livros e memórias preferidas da minha infância. “Um mar sem estrelas” tornou-se no meu novo livro de conforto, pelo seu hino ao poder das narrativas encantadas. “A polícia da memória” tornou-se num manifesto de análise ao controlo do estado.  

 

Prometo voltar com novidades. Já tenho a segunda parte dos livros com diversidade cultural em andamento. Por isso penso que será esse a nova opinião. Até lá um bom fim de semana, e boas leituras! 

Historias fantásticas repletas de diversidade

Abril 09, 2022

S.C.Jesus

   Desde de criança sempre gostei de descobrir lendas e mitos de culturas diferentes, principalmente os chineses por possuírem dragões e mulheres guerreiras. Quando entrei na universidade descobri infinitas histórias dos Deuses e dos seus míticos heróis gregos através da “Odisseia”, da “Ilíada” e de algumas tragédias de Séneca e Erípedes.

Nos últimos tempos tenho verificado um gigante número de publicações baseado em mitos, não apenas gregos, mas também nórdicos, africanos e asiáticos. Agrada-me muito que o mercado aposta na diversidade, e não se centre apenas em apostar em livros com temáticas e universos mais ocidentais.

Eu amo ler qualquer tipo de “reteling” mas agrada-me ainda mais descobrir novas lendas e mitos, através dos livros que leio. Este ano tenho apostado em ler mais livros de autores asiáticos e africanos, quero conhecer melhor as suas culturas e mergulhar nas suas fascinantes lendas.

Trago-vos dois livros baseados em lendas/mitos, e outro baseado num massacre que aconteceu na Nigéria.

 

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“Daughter of the Moon Goddness” é o primeiro livro da duologia “The celestial kingdom” inspirado na lenda da Deusa da Lua  Chang'e, centrada-se na jornada da sua filha para salvar a mãe do seu aprisionamento forçado.

Todo o enredo se centra na luta de Xingyin para ganhar um lugar na corte Celestial, que lhe garante o direito a liberdade da Deusa da Lua. Nessa jornada ela descobrirà as suas grandes habilidades como arqueira, e formará uma grande ligação com o príncipe Liwei e o capitão Wenzhi. Mas um deles irá trai-la. E Xingyin necessitará escolher entre o amor e o dever. Salvar a sua mãe ou o seu reino.

O que mais gostei deste livro foi a capacidade da protagonista ultrapassar as adversidades, a sua força interior para não se deixar sucumbir pelos seus dilemas e ser capaz de estar do lado dos seus amigos mesmo quando eles a desiludem. Mas também adorei todos os elementos sobrenaturais, como os dragões e os vários reinos envolvendo o fogo ou a água.

 

 

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“The rose and the dagger” é a conclusão da historia de Sherazade iniciada em “The wrath and the dawan” que se centra num reconto de uma das historias mais famosas das “Mil e uma noites”.

Sharazade é uma das personagens mais fascinantes da literatura universal. E  os livros mostram-se a altura da sua forte personalidade e inteligência. Gostei especialmente de intercalarem na narrativa as histórias que ela conta ao califa, demonstrando assim ser uma mulher estrategista.

Kalid, o califa, é uma personagem complexa. No início demonstra ser um monstro assassino de noivas, mas mais tarde descobre-se ser uma vítima de uma maldição. Da qual apenas a sua amada Sharazade conseguirá encontrar a cura.

Esta duologia encaixa perfeitamente o ambiente das Arábias, com os seus infinitos desertos e os sultões com as suas inúmeras esposas. Possuindo também referências a outros contos de “Mil e uma noites” como o tapete mágico e o génio.

 

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“ Quem teme a morte” ao contrário dos outros livros aqui apresentados é um livro com temáticas muito mais pesadas, por envolverem a violência infligida no povo africano e o abuso sofrido pelas suas mulheres.

A protagonista é vítima de preconceito pelas pessoas acreditarem estar amaldiçoada, ela é filha de uma violação e naquele mundo os filhos de um abuso são considerados criaturas maléficas. No entanto, Onyesonwu descobre ter um destino a cumprir e parte para acabar com o genocídio contra o seu povo.

Foi uma leitura que chocou-me pelas descrições abusivas, mas levou-me a pensar como certas sociedades podem agir perante culturas e costumes diferentes.

 

Até ao final do ano pelo menos  quer ler mais quatro livros envolvendo as culturas asiáticas e africanas. Nomeadamente “She who became the sun”, “The girl who fell beneath the sea”, “The gilded ones” e “Children of virtue and vengeance”. Se forem leituras inspiradoras talvez escreve mais uma opinião explorando as suas temáticas.

Desejo-vos um bom fim-de-semana, e boas leituras!

  

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